Benfica

Negócio Fechado: Toti Gomes reforço do Benfica

João Palhinha está cada vez mais perto do Wolverhampton

João Palhinha está cada vez mais perto do Wolverhampton, num negócio que poderá ficar selado por cerca de 20 milhões de euros, segundo noticia o diário Record.

O defesa central Toti Gomes, que recentemente agarrou a titularidade no Wolverhampton, é o destaque desta semana na rubrica/parceria entre a nossa página e a página À bola pelo Mundo:

15 de Janeiro de 2022, Wolverhampton-Southampton. Terceiro jogo da armada lusa às ordens de Bruno Lage no novo ano. Nos dois anteriores a tripla de centrais foi constituída por Coady, Kilman e Saiss primeiro (na vitória por 1-0 em pleno Old Trafford com golaço de João Moutinho), e Coady, Kilman e Marçal depois (3-0 ao secundário Sheffield United para a Taça). Na recepção aos Saints, porém, um nome distinto surge na ficha de jogo, e também ele associado a uma bandeira portuguesa: Toti Gomes fecha o lado esquerdo da linha de três, juntando-se a Coady e Kilman perante as ausências de Saiss, que seguiu com a comitiva de Marrocos para o CAN, e do lesionado Marçal.

Um ano e meio depois de assinar contrato com o Wolverhampton, Toti tinha finalmente a oportunidade de cumprir o sonho de uma vida. E que chegou de forma completamente inesperada, pois inicialmente tinha viajado para Inglaterra no fim de Dezembro apenas com a indicação de treinar com o plantel enquanto decorria a paragem da Liga suíça, onde no último ano e meio estava a jogar no Grasshoppers por empréstimo do Wolves. Bruno Lage, todavia, acabou por gostar do que viu do jovem defesa e as circunstâncias favoráveis em termos de concorrência (ou falta dela) fizeram o resto.

Nascido na capital da Guiné-Bissau a 16 de Janeiro de 1999, Toti veio muito jovem para Portugal e até nem foi o futebol a sua primeira escolha para praticar desporto, mas sim o râguebi. Só aos 15 anos mudou de modalidade, juntando-se aos juvenis do Fontainhas e testando-se inicialmente na posição de médio-ofensivo, e nos juniores saltou para o Dramático de Cascais, época em que passaria a jogar na ala esquerda; dali ao Estoril foi um “pequeno” pulo, com a afirmação na equipa de juniores e a subida aos sub-23 dos Canarinhos para cumprir o primeiro ano de sénior (e já como profissional).

Essa época de 2018/19 foi de tal modo positiva que acabaria por jogar pela equipa principal do Estoril nas últimas três jornadas da II Liga, surgindo então até notícias do interesse do Sporting nos préstimos do na altura lateral-esquerdo. Essa mudança acabou por não se verificar e 2019/20 não foi tão brilhante, fruto de alguns problemas físicos e também do surgimento da pandemia do coronavírus, que acabou por levar à suspensão precoce e definitiva da Liga Revelação, onde vinha a evoluir pelos sub-23 do Estoril, e também da II Liga, onde acabou por não fazer qualquer jogo nessa época. Ainda assim, ficou bem patente a crença do clube nas suas capacidades com a oficialização da renovação de contrato até 2022 a 1 de Abril de 2020 – curiosamente ao mesmo tempo de Chiquinho, outra pérola da formação estorilista que acabou de ser contratado pelo mesmo Wolverhampton nesta janela de transferências.

A renovação de contrato, percebeu-se depois, não chegaria para prender Toti Gomes ao Estoril por muito mais tempo. Em Setembro de 2020, ainda antes do início das competições, foi anunciada a venda para o Wolverhampton (os valores não foram oficialmente divulgados mas os sites da especialidade falam em 1 milhão de euros), sendo que o atleta luso-guineense (que entretanto já começara a jogar maioritariamente como central) foi de imediato cedido ao Grasshoppers, histórico emblema suíço que mantinha uma parceria com o Wolves e que procurava garantir o regresso ao principal escalão do futebol helvético. Assim aconteceu: num plantel recheado de caras conhecidas (os portugueses Euclides Cabral, Miguel Nóbrega, Nuno Pina, André Santos, Cristian Ponde, André Ribeiro e Nuno da Silva, o também luso-guineense Eliseu Nadjack e ainda Léo Bonatini, ex-Estoril e Vitória de Guimarães, ou Renat Dadashov, actual avançado do Tondela) e orientado durante grande parte da temporada por João Carlos Pereira (acabaria por ser demitido a poucas semanas do fim), os Gafanhotos festejaram a subida com o título de campeão na mão, acabando com mais um ponto que o Thun.

Neste mar lusitano no plantel do Grasshoppers, Toti Gomes foi de longe o mais utilizado de todos: foram 36 jogos (34 dos quais a titular) e 2 golos, num total de 3095 minutos – André Santos foi o único a somar o mesmo número de partidas mas com muito menos minutos disputados (2036), fruto de ter saído do banco em 13 ocasiões. Não estranhou, portanto, que o central visse renovado o empréstimo ao emblema suíço por mais uma temporada, com o Wolverhampton a pretender observá-lo num contexto agora de uma primeira Liga europeia, de modo a poder avaliar o seu crescimento e evolução num patamar mais exigente. “Ele mostrou a sua qualidade e potencial e estamos muito agradados com a sua atitude: tudo o que ele fez no Grasshoppers foi bastante positivo. Agora é uma nova liga e vai precisar de um período de adaptação, mas queremos que ele esteja a competir”, dizia o coordenador da formação do clube inglês, Scott Sellars, a 29 de Junho do ano passado.

Toti (nascido Tote António Gomes) manteve-se assim em Zurique e a verdade é que o nível exibicional não diminiu – de todo: foram 18 jogos e 1 golo num Grasshoppers que, aquando da paragem de inverno da Liga suíça, seguia no sexto lugar (num total de 10 equipas) mas já com 11 pontos de vantagem sobre a zona de despromoção, numa campanha bastante tranquila. Foi nesse contexto que surgiu a “repescagem”, já no início deste ano. “Exceto qualquer novo caso de COVID-19 ou problemas de lesão, esperamos que ele regresse à Suíça no final de Janeiro”, afirmava o mesmo Scott Sellars no passado dia 4. Pois bem: os problemas físicos surgiram de facto, a convocatória de Saiss também e os desempenhos de Toti Gomes nos treinos fizeram o resto, convencendo Bruno Lage de que o jovem de sangue luso merecia uma oportunidade.

Chegou então o dia 15 (véspera do seu 23º aniversário) e a primeira grande prova de fogo para Toti… que dificilmente podia ser melhor: 90 minutos, cinco desarmes, cinco duelos pelo chão ganhos, dois bloqueios de remate e a conquista da admiração por parte de todos os adeptos e responsáveis do Wolverhampton (que venceu a partida por 3-1). “Ele estava de férias há duas semanas, entretanto veio para cá e fez alguns treinos connosco. Depois faz uma exibição como esta… não cometeu nenhum erro. Foi compacto, foi sólido e as primeiras palavras vão para ele porque o que fez foi muito bom”, reconheceu o treinador do clube inglês, secundado pelo capitão Coady: “Fantástico! Vimos como é forte nas disputas de um contra um, mas mesmo com a bola ele é tão calmo e eu nem consigo explicar como este jogo foi duro para uma estreia.”

Mas houve sequela para este filme de encantar: Toti Gomes voltou a ser titular na jornada que se seguiu, na deslocação do Wolves ao reduto do Brentford, e até chegou a ver um cartão vermelho que acabaria por ser revertido em amarelo pelo VAR. Curiosamente, ainda assim a equipa da casa chegaria ao golo na sequência do livre lateral após a falta do central luso, com o Wolverhampton a chegar à vitória mercê de (mais) um golaço de Rúben Neves após passe de João Moutinho – que por sua vez já tinha aberto a contagem assistido por Nélson Semedo. Toti, esse respirou de alívio e pôde celebrar o segundo triunfo noutros tantos jogos com a camisola dos Lobos vestida.

O próximo desafio passará por conseguir manter o estatuto de titular mesmo com o regresso dos actuais indisponíveis (neste quadro insere-se por exemplo Boly, o antigo central de Braga e Porto que ainda só disputou uma partida esta temporada) e depois, quiçá, começar a piscar o olho a Fernando Santos – que é como quem diz, à selecção nacional. Internacional em apenas uma ocasião, no escalão de sub-20, Toti Gomes chegou a ver o seu nome cogitado para passar a representar a Guiné-Bissau a nível sénior (tal como tem acontecido com vários outros atletas em situações similares, sendo Edgar Ié o exemplo mais recente), mas a ascensão na carreira, se vier a ser confirmada agora com a afirmação na Premier League, deverá afastar de vez essa possibilidade e virar de vez o foco do atleta para as cores lusitanas, até tendo em vista um exigível renovar de escolhas para a posição num futuro próximo – tudo indica que Pepe e José Fonte acabem a carreira internacional após o Mundial do Qatar (isto se Portugal lá chegar, obviamente), deixando duas vagas disponíveis para novos talentos que surjam e/ou se afirmem entretanto no panorama internacional. E Toti já vai levantando o braço…

As negociações começaram há duas semanas e a oficialização pode surgir nos próximos dias.

O internacional português vai assim juntar-se ao vasto contingente português do Wolves que, na temporada transata, à margem de Bruno Lage, contava ainda com 11 lusos no plantel: José Sá, Nélson Semedo, Bruno Jordão, Rúben Neves, João Moutinho, Fábio Silva, Pedro Neto, Daniel Podence, Francisco Trincão, Toti Gomes e Chiquinho.

TOTI GOMES: DO RÂGUEBI À TITULARIDADE NA PREMIER LEAGUE EM OITO ANOS

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo